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Recorde o Mundial sub-20 em 1991
Lembra-se de Carlos Queiroz, João Pinto e Emílio Peixe? Recorde as lendas do mundial sub-20 de 1991 neste artigo da FPF.
13 fevereiro 2023
No dia 14 de junho, Portugal tornava-se a capital do futebol jovem mundial com a organização da 8ª edição do Campeonato do Mundo sub-20 de 1991, da FIFA.
Porto, Lisboa, Faro, Braga e Guimarães foram as cidades escolhidas para receberem os jogos das 16 seleções qualificadas, entre elas um selecionado português que sob o comando de Carlos Queiroz entrava em campo para tentar revalidar o título conquistado em 1989 na épica campanha de Riade.
Na seleção portuguesa, a João Pinto e Brassard, campeões do mundo sub-20 em 1989, juntavam-se nomes que viriam a marcar a década seguinte no futebol português, como Emílio Peixe, Rui Costa, Luís Figo, Jorge Costa ou Paulo Torres.
O primeiro teste de fogo desta geração aconteceria no dia 14 de junho de 1991 num estádio das Antas colorido pelas bandeiras e cachecóis de 65 mil espetadores perante a República da Irlanda.
Como acaba por acontecer, não raras vezes, no jogo de abertura de uma grande competição, Portugal entrou em campo algo ansioso, uma ansiedade que, contudo, não viria a durar muito já que aos 17 minutos de jogo, a jovem estrela em ascensão João Vieira Pinto marcava o primeiro golo de Portugal e do Mundial sub-20 de 1991.
Apesar de carregados pelo entusiasmo do fervoroso público presente no “velhinho” Estádio das Antas, a seleção nacional só viria a por um ponto final nas dúvidas quanto ao vencedor do jogo aos 78 minutos, quando Capucho, então ainda longe de sonhar que faria parte da equipa do FC Porto que ganharia a Taça UEFA em 2003, fechava o marcador com o 2-0.
Depois de ultrapassados os obstáculos “nervosismo da estreia” e República da Irlanda, Portugal tinha na sua agenda do Grupo A o temido embate com a Argentina de Pochettino, Esnaider e Walter Paz, estes dois últimos que viriam a ser jogadores do FC Porto nos anos seguintes.
Disputado no Estádio da Luz, este embate entre Portugal e Argentina ficou marcado pelo jogo demasiadamente duro dos homens das pampas que lhes valeu três expulsões (Pellegrini, Esnaider e Claudio Paris) e um jogo perdido.
Os golos da equipa de vermelho e verde só viriam a aparecer na segunda parte e teriam a assinatura de Gil aos 56 minutos, Paulo Torres aos 80 minutos e Toni aos 86 minutos.
Mais serenos e confiantes, os “meninos" do professor Carlos Queiroz, partiam para o último jogo da fase de grupos com um lugar já assegurado nos quartos de final.
O adversário era a República da Coreia, equipa que, pela primeira vez, se apresentava numa grande competição de forma unificada.
Nem as tréguas entre sul e norte-coreanos conseguiram travar a equipa das quinas e o pontapé canhão de Paulo Torres que, aos 42 minutos, fazia levantar os quase 40 mil espetadores presentes no Estádio da Luz daquela noite quente de 20 de junho com um livre superiormente marcado dentro da área perante uma barreira de onze jogadores coreanos que se perfilavam sobre a linha de golo.
Apesar deste resultado, a Coreia faria companhia a Portugal nos quartos de final do Mundial, fase para a qual se qualificaram igualmente Brasil e México no Grupo B, Austrália e União Soviética no Grupo C e Espanha e a surpreendente Síria no Grupo D.
Entrado na fase decisiva, o Estádio da Luz encheu-se com 90 mil portugueses para o jogo com o México, encontro que viria a ser um dos jogos mais duros disputados por Portugal em todo o torneio.
Apesar de, uma vez mais, Paulo Torres fazer o gosto ao pé (3 minutos), o conjunto mexicano não se deixou abater e partiu para cima da defesa comandada por Jorge Costa e Abel Xavier e acabou por empatar a contenda ainda na primeira parte com um golo de Mendonza aos 35 minutos.
Oportunidades falhadas após oportunidades falhadas, o jogo, para mal dos corações dos adeptos, foi para prolongamento onde Toni (101 minutos) acabou por ser o grande herói das hostes lusitanas ao dar a Portugal o passaporte para as meias-finais.
O sonho estava cada vez mais próximo, mas ainda faltava derrotar a organizada Austrália nas meias-finais e ultrapassar o vencedor do Brasil vs União Soviética na final.
Assim, no dia 26 de junho, outra vez no Estádio da Luz (112 mil espetadores), a seleção portuguesa enfrentou o muro australiano comandado por Mark Bosnich, guarda-redes que viria a brilhar na baliza de Aston Villa, Manchester United e Liverpool ao longo da década de 90 e 00.
Apesar de toda a resistência dos homens que vieram do outro lado do mundo, o maestro Rui Costa furou as redes australianas aos 31 minutos enviando Portugal para a muito desejada final com o Brasil.
30 de junho de 1991, data maior do futebol português que só viria ser suplantada pelo dia 10 de junho de 2016 do nosso contentamento.
Lugar: Lisboa. Estádio: Estádio da Luz a rebentar pelas costuras com 127 mil espetadores (e talvez reza a lenda até mais do que 130 mil).
De um lado o Brasil com uma equipa onde despontavam as futuras estrelas do futebol mundial Roberto Carlos e Elber (Bota de Prata do Mundial sub-20 com 4 golos).
Do outro, um selecionado português com Brassard na baliza, o “bicho” Jorge Costa, Nélson, Paulo Torres e Rui Bento na defesa, Figo com o inusual número 3 nas costas, Rui Costa com o 5, João Vieira Pinto (capitão de equipa) e Emílio Peixe que viria a ser considerado pela FIFA o melhor jogador do Mundial sub-20 de 1991 no meio-campo, enquanto a frente de ataque estava entregue aso imprevisíveis e letais Gil e Toni.
Dos 120 minutos de jogo jogado não há muito a falar. A responsabilidade do momento deixou a partida amarrada e as situações de perigo não se multiplicaram como o poderia deixar antever uma final entre dois países que tratam a bola por tu.
Num ato do maior dramatismo cénico, a final do 8º Campeonato Mundial de Juniores como era então denominado o Mundial sub-20 da FIFA, teria de ser decidida nos penáltis.
A tensão no campo e nas bancadas dá para cortar à faca enquanto Ramon arranca para o bater o primeiro penalti. Não falha, 1-0 para o Brasil.
Segue-se Jorge Costa que, impávido e sereno, mete a bola no canto superior esquerdo da baliza de Roger para igualar o marcador. Elber, para gáudio de milhões de portugueses falha, Figo não facilita e faz o 2-1, Andrei mantém o Brasil na corrida, Paulo Torres fura as redes e faz o 3-2, Marquinhos, no quarto penálti para o Brasil, atira para a defesa de Brassard.
Entra em cena Ruis Costa. Com 3-2 no marcador, basta que aquele que seria o capitão da geração de ouro do futebol português no final dos anos 90 e início dos anos 2000 marcasse.
“Marca Rui Costa e Portugal é Campeão do Mundo!” narra a inconfundível voz de Rui Tovar na transmissão da RTP depois do número 5 de Portugal colocar a bola fora do alcance de Roger e fazer da seleção de sub-20 Bicampeã Mundial da categoria, marca só conseguida até aí pelo Brasil e apenas igualada pela Argentina anos mais tarde.
6 jogos, 6 vitórias, 9 golos marcados e um sofrido, Bola de Ouro para Emílio Peixe e o título de Bicampeão Mundial para Portugal.
Este foi o pecúlio português findo o torneio, mas mais importante do que isso, uma grande parte dos jogadores que constituíam esta equipa de 1991 serviria de base às seleções portuguesas que marcariam presença no Euro 96, Euro 2000 e Mundial 2002 e tornar-se-iam lendas do futebol europeu e mundial.
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